homem d gris

Thursday, August 17, 2006

do pó ao pó

inspirado em texto sem título, pé ou cabeça, de lúcia marra.
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euvidério trocou a lâmpada do quarto-sala – luz! os olhos cerrados, habituados à ignorância, despertam, tímidos – luz! euvidério agora não pode esconder o seu mundinho: uma vida apertada, em uma própria incômoda essência, acomoda um comportamento ordinário.

atribuições? Esperar, só – o trabalho de tantos outros partidários. esperando, desperdiça energia no elaborar teorias sem substância e intrigas infantis... os dias passam... euvidério ignora...

esperar... todo o resto é rotina: despertar, resistir, armar... se... olhar, assear, aceitar... se, apenas... alimentar... uma folha mastigada displicentemente pronuncia: homem morre envenenado. lembrou um primo distante, silvio motta.

com terno engomado e cabelo penteado, apresentou-se no horário acordado... e com estranha satisfação assistia a toda retórica e formalidade, o ritual: coisa bonita os meandros da igreja, refletiu.

a morte é mesmo de uma brevidade impressionante! a vida.

anos mais tarde, euvidério tornou ao cemitério – ocasião na qual todas as atenções estavam voltadas para si. seus olhos, ainda que fechados, a tudo e todos perscrutavam. estava diferente! tinha um sorriso insistente, ainda que descrente, no canto da boca. um alguém disse que era sarcasmo. mas, não! era felicidade.

2 Comments:

  • o q dizer?

    Ficou perfeito, todo

    já tinha visto o primeiro parágrafo, tinha arquivado no pc ...

    mas não imaginava que pudesse ficar tão melhor ...

    Euvidério (Motta) também

    Adorei

    Beijo fausto

    Amei a música

    escutei várias vezes ...
    Fica bem também
    @>---

    By Anonymous Pagu, at 8:09 PM  

  • Inspirado é ótimo né... Vc pegou só o início e o fim... Tirou alguns excessos e colocou umas sobras...

    Grazi

    By Anonymous Anonymous, at 9:24 PM  

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